Preços das casas disparam 25% desde a crise

2017-09-21

As casas em Portugal estão cada vez mais caras, tendo o índice de preços da habitação atingido, no segundo trimestre deste ano, o valor mais elevado desde que há registo, com uma subida de 8,9% face ao período homólogo. Só desde o início de 2017, e segundo mostram os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística (INE), os preços dos imóveis residenciais cresceram 5,4%, o que se traduz numa recuperação acumulada de 25,2% desde o mínimo registado aquando da crise que abalou o país, no segundo trimestre de 2013. E as casas usadas têm sido o grande propulsor deste dinamismo que se assiste no setor imobiliário nacional (apesar de todos os escândalos).

O índice de preços da habitação atingiu os 115,51 pontos, no segundo trimestre deste ano, de acordo com os dados divulgados pelo INE, esta quarta-feira. Este valor corresponde a um máximo desde o início de 2009 (quando os dados começaram a ser divulgados). Face ao mesmo trimestre do ano passado, os preços subiram 8%, o que significa a maior valorização desde que há registo.

O INE revela ainda que, entre abril e junho de 2017, foram transacionados 36.886 alojamentos (o máximo desde que o INE publica este índice), um aumento homólogo de 16,1% e de 4,9% quando comparado com o trimestre transato. As vendas geraram cerca de 4,6 mil milhões de euros, dos quais 3,7 mil milhões dizem respeito a alojamentos existentes.

O que explica esta subida de preços?

Os últimos dois anos têm vindo, exatamente, a destacar-se por uma recuperação dos valores das casas em Portugal. Começou por ser mais lenta e vem vindo a acentuar-se, ao mesmo tempo que se verifica um crescimento das transações imobiliárias, sobretudo graças à melhoria da economia e à maior disponibilidade por parte das instituições financeiras para a concessão de crédito, a par do reforço do investimento estrangeiro. Isto depois de, em meados de 2011, após a chegada da troika, os preços das casas terem começado a entrar numa trajetória de queda que culminou num mínimo de 92,25 pontos no segundo trimestre de 2013.

As casas usadas, cujos preços segundo o INE quase duplica a subida registada pelos imóveis novos, têm vindo a ser o grande motor do dinamismo que vive o setor. Aliás, a grande maioria das transações realizadas ( 84,2% do total) envolveram imóveis residenciais existentes. Do total de 72.064 imóveis vendidos nos primeiros seis meses deste ano, 60.661 foram casas usadas.

Lisboa e Porto concentram maioria das operações

É nas grandes cidades nacionais que está a acontecer grande parte do florescimento do negócio imobiliário. A grande maioria das transações tem sido concretizada em Lisboa e Porto De acordo com os dados do INE, 64% do volume de vendas realizadas nos primeiros seis meses do ano esteve localizado nas duas maiores cidades nacionais. Na Área Metropolitana .de Lisboa foram vendidos 25.492 imóveis, por 4.299 milhões de euros, enquanto no Porto foram alienadas 12.584 casas, por 1.358 milhões de euros, no mesmo período. Depois disso, surge o Algarve, onde foram vendidas 6.991 casas pelo valor de 1.018 milhões de euros.

E do total de transações efetuadas em todo o país na primeira metade de 2017 (quando os bancos nacionais emprestaram 3.821 milhões de euros para a compra de casa) 42,9% foram concretizadas através de empréstimo, sendo que as restantes 57,1% foram realizadas a pronto pagamento. Isto significa que há seis anos que não eram vendidos tantos imóveis através de recurso a financiamento.

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