Portugueses estão cada vez a liquidar mais cedo o crédito à habitação

2017-08-23

O dinamismo do setor imobiliário português, a par das baixas taxas de juro e da melhoria da situação económica nacional, está agora a também ter efeitos nos pagamentos antecipados dos créditos à habitação. O número de reembolsos antes do fim do prazo cresceu quase 30% no espaço de um ano, tendo-se registado mais de 85 mil em 2016, num montante total de 3,2 mil milhões de euros. E perto de 70% destes serviram para liquidar por completo o financiamento contratato. Em vários casos, o objetivo é pedir um novo crédito.

O Relatório de Acompanhamento dos Mercados Bancários de Retalho de 2016, recentemente publicado pelo Banco de Portugal (BdP) mostra que foram realizados mais 28% reembolsos do que em 2015. Um aumento que ficou a dever-se "exclusivamente aos reembolsos antecipados totais, uma vez que o número de reembolsos antecipados parciais diminuiu entre 2015 e 2016".

Cerca de 68% dos pagamentos antecipados foram totais, mais do que os 58% de 2015. Quase um quarto dos reembolsos totais foram de montantes inferiores a 13.091 euros, enquanto metade foram de valores inferiores a 35.918 euros.

Segundo o regulador do setor financeiro, "o aumento dos reembolsos antecipados totais no crédito à habitação pode estar associado ao maior dinamismo do mercado imobiliário, uma vez que a troca de casa implica muitas vezes o reembolso total do crédito à habitação existente e a celebração de outro contrato para financiar a nova habitação".

E, apesar do "boom" que se vive no negócio do crédito à habitação, os pagamentos antecipados acabaram por ter um peso maior do que as novas contratações. No ano passado, foram assinados 57.912 empréstimos para a compra de de casa, num total de 5,5 mil milhões de euros. Aumentos de 34,2% e 39,6% face ao ano anterior, respetivamente.

"Os reembolsos antecipados e os vencimentos ocorridos em 2016 superaram o montante concedido em novas contratações, o que se traduziu numa redução do valor global da carteira no final do ano (88,4 mil milhões de euros, o que compara com 90,5 mil milhões de euros, em 2015)", sublinha o Banco de Portugal.

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